O poder de 100 histórias de vida


É irónico que, sendo eu uma pessoa que tanto goste de ler, escreva sobre um livro que é para adolescentes. E daí, talvez não seja assim tão irónico, pois nesta minha missão de mãe e na tarefa de entusiasmar para o hábito, educar por exemplo e procurar despertar para o prazer de viajar pelas palavras e abrir a mente ao mundo, tenha um particular entusiasmo quando vejo que atingi o objetivo.

Os livros para a infância sempre foram para mim uma perdição. Não apenas na construção de uma biblioteca caseira, mas também pela oportunidade de descoberta de vocabulário, novos locais, aumentar conhecimento e expor à estética das ilustrações. Com o início da leitura autónoma, o hábito foi-se perdendo e muitas das estratégias para o reabilitar revelaram-se infrutíferas.

Sem "atirar a toalha ao chão", no final do ano passado comprei para a minha filha o livro - eu que já andava a namorar na versão original há algum tempo - Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, de Elena Favilli.
Tinha tudo para dar certo:
É escrito para crianças na fase rebelde [quando é que começa?!?], decididas, independentes e apaixonadas - super adequado à leitora!
Compila histórias de vida de 100 mulheres que mudaram o mundo - girl power: gosto!
Os textos são simples e curtos, escritos de forma positiva e de quem superou os desafios a que se propôs - isto promete!
E cada história é acompanhada por uma ilustração fabulosa, de diferentes artistas, que retrata a mulher visada -  mais um ponto a favor!
A estratégia acordada entre mãe e filha foi que, semanalmente, ela escolhia e lia uma das histórias, conversando depois em família sobre a mulher elegida. E tem funcionado! Temos descoberto histórias fabulosas e mulheres extraordinárias que dão para muitas horas de conversa.

E porque estou eu aqui a escrever sobre isto? Porque o poder deste livro é tão contagiante que até à escola chegou. Esta semana, para a disciplina de Português, o desafio foi encarnar uma destas mulheres e deixar o testemunho da história da sua vida. O entusiasmo foi total!
Assim conhecemos a repórter americana de Nellie Bly (1864-1922): uma mulher à frente do seu tempo, destemida,  inteligente e solidária. Defensora do papel da mulher na sociedade e que superou diversos desafios, como uma viagem solitária à volta do mundo. Dizia que "nunca tinha escrito uma palavra que não viesse do coração e que nunca o iria fazer".
Mais do que um trabalho escolar, vi que conhecer esta mulher e a sua história - e acredito que se passe com todas - conseguiram deixar na minha filha a ideia de que a determinação, a coragem e acreditar em nós próprios nos pode levar até onde queremos.

Uma nota final: este livro não é "interdito a rapazes", bem pelo contrário. O meu filho também o lê e interessa-se pelas façanhas destas mulheres, sendo envolvido nas nossas conversas semanais. Recomendo-o sempre para raparigas e rapazes.
Neste mundo que se quer cada vez mais igualitário, na minha opinião, este livro capacita as raparigas para serem mulheres fortes e determinadas e prepara os rapazes para serem homens que respeitam as mulheres e têm a capacidade para as admirar, pelo que são e pelo que fazem.

Outra nota final: Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes 2 já tem edição em Português. Mais 100 motivos para continuar a ler e conhecer histórias de vida de mais 100 mulheres formidáveis!


Não sei andar de bicicleta 🚲

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