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A mostrar mensagens de Maio, 2018

O gang dos quatro

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Há uns dias li um texto da Isabel Stilwell sobre ter irmãos e como este facto deveria contar dos CV. Negociar, defender o seu território, fazer alianças, entre outras aptidões, passam a ser inatas a quem tem de partilhar a casa e a atenção dos pais.
Mais do que a perspectiva da jornalista, fixei-me na imensa sorte que tenho pelos meus pais me terem dado irmãos e como isso me tornou na pessoa que hoje sou.
Sendo a segunda de quatro - com apenas 15 meses de diferença do meu irmão e mais 15 meses da minha irmã (sim, os tempos eram outros) -, tinha sempre companhia para tudo e não tenho recordação de estar sozinha. Aprendi a partilhar, a ter poucas coisas que fossem realmente só minhas, a viver muitos momentos em família de brincadeira. Andávamos todos na mesma escola e os amigos eram comuns. E com o nascimento do meu irmão mais novo, quando já tinha cinco anos, o gang tornou-se ainda maior.

Recordo as inúmeras noites de conversas até às tantas e ataques de riso, dos segredos trocados e …

A vida dos meus filhos numa mochila

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Sempre fui uma mãe-galinha e quando tomei a decisão de me separar, a primeira prioridade foi (e ainda é!) o bem estar dos meus filhos. Na altura tinham 15 e 12 anos e, sendo já adolescentes, facilitou todas as alterações decorrentes daquela decisão.
A questão de ficarem comigo foi um ponto assente desde o início, até porque toda a logística (escola, explicações, atividades extra-escola, amigos, etc) estaria muito mais facilitada. "Por regra" estão com o pai em fins de semana alternados e jantam durante a semana, mas acaba por haver um livre-trânsito quando surge a oportunidade de um programa extra.
Dito assim parece simples, mas na minha opinião a vida de filhos de pais separados não tem nada de fácil. Mudar radicalmente a realidade familiar que conheceram toda a sua vida, ter sempre os pais presentes nos momentos especiais da sua vida, que lhes passam os seus valores, contam as histórias da família, que têm sempre uma palavra de carinho na altura certa, que os ouvem e os a…

A beleza do primeiro amor

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Há algum tempo que queria ver o filme  Call me by your name [Chama-me pelo teu nome]. Quando estreou inclui-o logo na minha lista de "filmes que tenho de ver", mas entretanto saiu das salas de cinema e acabei por perder a oportunidade.
Tinha assistido ao trailer, que me despertou desde logo a curiosidade para um argumento fora do convencional, e sendo um filme vencedor do óscar para o melhor argumento adaptado em 2018, para além da nomeação de Thimothée Chalamet para óscar do melhor ator, tinha bons motivos para manter a vontade de o ver. Este fim de semana tive umas horas livres e acabei por cumprir essa intenção. E tinha razão: é mesmo um filme imperdível!

Este filme, na categoria de romance-drama, tem como ponto de partida uma família italiana que acolhe o americano Oliver que, durante os meses de verão, será assistente do pai, investigador de história de arte. O filho de 17 anos, Élio, é o protagonista principal da história e é através dele que vamos acompanhar a descob…

Dores de crescimento

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Como podemos assistir à frustração dos nossos filhos sem reagir? Sem "tomar as suas dores" e reduzi-las ou até eliminá-las?
As novas correntes da parentalidade consciente dizem que é errado "passar a mão pela cabeça", dizer que está tudo bem, ou ir resolver o assunto por eles, como um ser superior que tudo resolve. Dizem que os pais devem ouvir com atenção, ajudá-los a dar um nome ao sentimento e, sem muito dizer, que eles vão encontrar o caminho para resolver essa frustração.
É como quando começam a dar os primeiros passos. Caem uma, duas... várias vezes. Dão trambolhões, passos bambos. E depois levantam-se, tentam outra vez. Até dominar a "técnica". E depois correm, e já não os apanhamos.

Como os desafios da adolescência, da formação da personalidade e das primeiras dúvidas e decisões, acredito que o treino da inteligência emocional é uma forma de educar pela positiva e de os ajudar a crescer.
A vida não é sempre cor-de-rosa e todos os obstáculos e pon…

O dia seguinte é o mais importante ❣

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Há um depois do "temos de conversar". Aquela frase que nos faz tremer, apesar de muitas vezes a termos adiado e de sabermos de antemão as razões porque ela é dita. Vem cheia de coragem, com uma argumentação tantas vezes ensaiada, que pesou os prós e os contras, que revive as memórias, a dor e alegria e que tenta serenar o turbilhão de sentimentos que vive em nós.

Se esse momento, maior ou menor, abre uma cicatriz, o que vem depois disso é o início de uma nova caminhada. É o dia seguinte.
É o dia em que percebemos se estamos dentro de um sonho ou se é real.
É o dia em que reunimos forças para recomeçar.
É o dia em que damos o primeiro passo.
É o dia em que sabemos se valeu a pena.
É o dia em que nos colocamos em primeiro lugar.

E se as lágrimas que choramos podem levar alguma tristeza, é importante que encontremos nos pedaços, que agora estão partidos, a luz que queremos refletir.
Porque esse é o dia que nos vamos apaixonar. Por nós próprios.
É o dia em que corremos ser ver …

Recordar é viver

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O jantar durante a semana é nosso momento de reunião diária. Fazemos questão de o fazer em conjunto, quase como um ritual obrigatório.
Os miúdos atropelam-se a contar o que se passou durante o dia, informam-me dos acontecimentos sociais das próximas semanas [de cada um... eu sou apenas a motorista de serviço...], falamos de trivialidades, trocamos pontos de vista sobre diversos temas e vamos ouvindo as notícias na televisão, que como uma banda sonora de fundo nos vai atualizando sobre o que se passa no mundo e nos desperta, pontualmente, a atenção para este ou aquele assunto.
Ontem não foi exceção e, quando começaram a passar as reportagens da comemoração dos 20 anos da Expo'98, colocámos o jantar em stand by e dei por mim a vibrar com tudo o que era mostrado.

"Naquele tempo todos os dias havia um espetáculo de encerramento... e cada um daqueles pavilhões representava um país, eram fabulosos... e antes da Expo'98 aquela zona de Lisboa não era nada assim..."
À medida…

Big Girls Do Cry

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Chorar. Este é um verbo que conjugo muitas vezes e que me habituei a assumir como parte de mim.
Sou de lágrima fácil, de emoções à flor da pele. Quando ouço uma música, vejo uma foto, assisto à cena num filme ou leio um livro. Tristeza, dor, saudade, melancolia, mas também de alegria, de comoção, de orgulho, ou apenas porque sim.
E se tempos houve em que as continha, com a maturidade deixou de acontecer.

Choro muitas vezes. Já chorei dias inteiros, à frente de desconhecidos, à escondidas, ao adormecer, sozinha e acompanhada, durante uma viagem de comboio, ao volante do meu carro, a passear na praia. Com um aperto no coração, com um abraço sentido, com uma gargalhada rasgada. Perdida nos meus pensamentos, quando tenho de tomar uma decisão, quando recordo quem já não está cá e quando olho para os meus filhos.

Chorar é libertar as palavras que tenho dentro de mim e é silêncio. Para mim é uma pausa. É libertar o medo e a ansiedade. É ser grata e abrir os braços para receber o que a vida …

Transformar o medo em ação

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Tenho medo, muito medo. Talvez seja uma das coisas que mais tema na vida.
Mais que um acidente de carro, um tremor de terra ou uma queda.

Tenho medo e não tenho a mínima ideia o que será passar por este processo.
Receber a notícia, tomar consciência da gravidade.
O que fazer a seguir, e depois. Quais as opções. O tratamento, a recuperação.
Os altos e baixos. As emoções à flor da pele.
Ter pedir ajuda. Ficar dependente.
Ver quem nos rodeia, amigos e família, preocupados connosco.
Sentir a degradação do corpo, perceber que progride ou regride.
Ficar cansada, extenuada.

Tenho medo. Pavor, até.
De saber que podia, com pequenos gestos e atitudes, ter evitado esta doença silenciosa.
Que bom seria termos nascido com um sistema alerta, como os automóveis modernos, que acendem uma luz a avisar do perigo. Antes de ser mesmo perigoso.
Por questões hereditárias ou outras do foro biológico, há quem tenha já um conjunto de luzinhas extra, na esperança de ser o primeiro a quebrar a corrente.

Tenho …

Mantra diário para ser mais feliz ❣

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posso sorrir mais
posso ser mais gentil
posso ouvir mais
posso ligar mais
posso estar mais presente
posso falar menos
posso dizer mais
posso pedir desculpa mais vezes
posso agradecer mais
posso comer melhor
posso fazer mais exercício
posso meditar mais
posso conversar mais com Deus
posso rodear-me de quem gosta de mim
posso ligar menos ao que os outros dizem
posso dar-me mais aos outros
posso cuidar mais de mim
posso ser mais carinhosa
posso ser mais corajosa
posso pensar menos
posso refletir mais
posso gritar menos
posso cantar mais
posso dançar mais
posso dormir mais
posso dar mais beijinhos
posso dizer mais palavras doces
posso sussurrar mais segredos
posso dizer não
posso dizer sim
posso dar mais gargalhadas
posso andar mais vezes descalça
posso dar mais vezes a mão
posso dar mais mergulhos no mar
posso ver mais vezes o pôr do sol
posso estar mais vezes comigo
posso gostar mais de mim


Não sei andar de bicicleta 🚲

O poder de 100 histórias de vida

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É irónico que, sendo eu uma pessoa que tanto goste de ler, escreva sobre um livro que é para adolescentes. E daí, talvez não seja assim tão irónico, pois nesta minha missão de mãe e na tarefa de entusiasmar para o hábito, educar por exemplo e procurar despertar para o prazer de viajar pelas palavras e abrir a mente ao mundo, tenha um particular entusiasmo quando vejo que atingi o objetivo.

Os livros para a infância sempre foram para mim uma perdição. Não apenas na construção de uma biblioteca caseira, mas também pela oportunidade de descoberta de vocabulário, novos locais, aumentar conhecimento e expor à estética das ilustrações. Com o início da leitura autónoma, o hábito foi-se perdendo e muitas das estratégias para o reabilitar revelaram-se infrutíferas.

Sem "atirar a toalha ao chão", no final do ano passado comprei para a minha filha o livro - eu que já andava a namorar na versão original há algum tempo - Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, de Elena Favilli.

Viajar com adolescentes ✈ Destino Barcelona

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Terminou há uma semana mais uma viagem, de mãe e dois filhos adolescentes - de 17 e 14 anos -, desta vez à cidade espanhola de Barcelona. Aqui ficam algumas dicas práticas para melhor usufruir deste destino e nosso roteiro de quatro dias pela capital da Catalunha [penso que é politicamente correto dizê-lo], em que nos encantamos por esta lindíssima cidade. Barcelona m'encanta♡
Dia 1 O nosso voo na TAP estava agendado para meio da manhã e optámos novamente por deixar o carro nos parques de estacionamento do aeroporto de Lisboa. Estou completamente rendida a este serviço - como é que só agora o descobri ?!? - e desta vez deixamos o carro no P3, mais próximo do terminal das chegadas e basicamente com a mesma distância do terminal das partidas [com a sorte de, como o P5 estava esgotado, terem feito o upgrade do estacionamento pelo mesmo valor]. Para os quatro dias ficou em 20€. Uma dica: reservem com antecedência este serviço, pois esgota com facilidade. Recomendo duas a três semanas…

Conversa de adultos

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Na escola dos meus filhos a associação de pais (e muito bem!) dinamiza alguns encontros com profissionais de diferentes áreas, desde psicólogos a técnicos especializados, que informem os pais e, acima de tudo, permitam trocar ideias sobre alguns temas do interesse dos adolescentes.
Sim, é uma idade tramada, e apesar de nos lembrarmos bem como éramos há 20 ou 30 anos atrás, agora no papel de mãe ou pai a perspectiva muda. Os dias de hoje também são diferentes e mais complexos do que eram. Eles e os amigos continuam a saber muito mais que os adultos, mas o acesso à informação está à distância de um teclado e os pais têm uma vida profissional que os ocupa por mais horas. Um rastilho que facilmente pode levar a uma explosão eminente.
Por isso a minha estratégia, para além de tudo fazer para estar disponível para os meus filhos, passa por estar atenta aos interesses e preocupações da sua geração [nem sempre o que se passa na nossa vida é uma amostra fiel da realidade]. E a conversa sobre …

Ser Mãe é o que me basta para ser Feliz ❤

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"Ninguém mais conhecerá a força do meu amor por ti. 
Afinal, és o único que conhece o bater do meu coração dentro de mim"


A maternidade para mim é isto. Um amor incondicional, inexplicável, inabalável e único. Parece cliché, mas é mesmo assim.
É um amor que faz com que o coração bata de maneira diferente. Muito acelerado, sereno, como um baque e quase em surdina. Mas que os filhos conhecem tão bem. Que os adormece quando são bebés e que os acalma quando pedem o colo da mãe.

Ser Mãe é a minha maior felicidade. Foram filhos muito desejados, para os quais - como qualquer mulher - nunca estás 100% preparada. A condição de ser Mãe não vem com um manual de instruções, com respostas para tudo. És tu própria que vais escrevendo o teu próprio manual [e depois vais fazendo correções e adendas intermináveis...].

Ser Mãe muda-te. Tornas-te uma pessoa melhor. O centro da tua existência não és tu, são os teus filhos. Aqueles pequenos seres que te ensinam, te desafiam, que te fazem passar por s…

Barcelona m'encanta ✈ ⛪

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Costuma dizer-se que quando lemos um livro numa determinada cidade a ficamos a conhecer verdadeiramente. Parece que sentimos o cheiro, falamos com as pessoas, tocamos nas paredes e percorremos todos os locais, como se estivéssemos verdadeiramente ali. E ter lido a A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Záfron, e A Catedral do Mar, de Ildefonso Falcones, contribuíram para esta minha vontade crescente de conhecer o palco onde decorrem estas duas histórias maravilhosas: a cidade de Barcelona.

Esta cidade vibrante, encantada e calorosa. Um povo tão carismático e com uma História passada tão presente. Uma cidade que nos obriga a olhar para cima, com uma arquitetura tão especial e única. Grandes avenidas com edifícios lindos e bem cuidados, e bairros com ruas sinuosas, que conjugam tradição e vida boémia. Comida e bebida saborosa. Com o encantador catalão sempre presente, como num simples bom dia.

Ainda a pairar da aventura em Paris, o tempo não foi muito para preparar este novo destino, mas o …

Uma marca de amor, por mim

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De há um tempo para cá tenho vontade de fazer uma tatuagem.
Para funcionar como um lembrete, que nunca poderei apagar.
Que me recorde, não o que foi mau, mas o que conquistei e me fez levantar.
Que seja uma espécie de memória eterna de que a força que encontrei em mim me fez superar a dor e a tristeza, me deu ânimo e coragem para seguir em frente.
Que registe em mim a minha escolha pela dignidade e amor-próprio.

Três andorinhas.
Quero uma imagem simples, pequena. Quase escondida, mas presente.
Um símbolo de liberdade e de força, de quem está comigo e nunca me irá deixar.

No tornozelo.
Do lado esquerdo, do coração.
Que me lembre a caminhada que é a minha vida. Com passos cada vez mais firmes e seguros.

Ainda não a fiz por falta de coragem. Por saber que é um passo que tenho de dar quando estiver segura.
Tal como aconteceu na minha vida. Um passo que mudou tudo e que me fez voltar a viver.
Mas sei que é uma marca de amor que vou fazer. Por mim.


Não sei andar de bicicleta 🚲

Amizades são feitas de pedacinhos

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Bons. Muito bons. E menos bons, também.
Os que se vivem uma vez, se recordam para sempre, aos quais queremos voltar.
Que nos fazem sorrir, dar uma gargalhada, chorar ou chorar a rir.
Que guardamos num lugar especial, com a intensidade que merecem ter.

Todos ligados pelo respeito da individualidade, pela descoberta em conjunto, pela presença, pelo gesto, olhar ou palavra.
Por uma linha invisível que une e envolve.
Que faz com que queria o bem do outro.
Que ele se ilumine e floresça. 
Que seja feliz.

Caminhos que o universo cruzou e que, mesmo que em algum momento se tome outra direção, fica uma caminhada em conjunto que valeu a pena.
Que nos deixa num estado de gratidão.
Um abraço para sempre.


Não sei andar de bicicleta 🚲