O gang dos quatro

Há uns dias li um texto da Isabel Stilwell sobre ter irmãos e como este facto deveria contar dos CV. Negociar, defender o seu território, fazer alianças, entre outras aptidões, passam a ser inatas a quem tem de partilhar a casa e a atenção dos pais. Mais do que a perspectiva da jornalista, fixei-me na imensa sorte que tenho pelos meus pais me terem dado irmãos e como isso me tornou na pessoa que hoje sou. Sendo a segunda de quatro - com apenas 15 meses de diferença do meu irmão e mais 15 meses da minha irmã (sim, os tempos eram outros) -, tinha sempre companhia para tudo e não tenho recordação de estar sozinha. Aprendi a partilhar, a ter poucas coisas que fossem realmente só minhas, a viver muitos momentos em família de brincadeira. Andávamos todos na mesma escola e os amigos eram comuns. E com o nascimento do meu irmão mais novo, quando já tinha cinco anos, o gang tornou-se ainda maior. Recordo as inúmeras noites de conversas até às tantas e ataques de riso, dos segredos troca...